'Creation' discute a ciência em conflito com as crenças religiosas. Produção abriu a mostra canadense, que terá 330 longas de 64 países.
Jennifer Connelly e Paul Bettany em cena de
'Creation', filme que abriu o Festival de
Toronto. (Foto: Divulgação)
O Festival Internacional de Cinema de Toronto rompeu uma tradição
de mais de três décadas ao apresentar, na noite de quinta-feira
(10), um filme não-canadense na sua sessão de abertura, o drama
britânico "Creation".
A escolha foi criticada por realizadores locais, somando-se à
polêmica gerada pelo próprio filme, que mostra a luta de Charles
Darwin para escrever o seu importante livro "A origem das
espécies," que gera debates até hoje...
"Dissemos que queríamos despertar discussões e
conseguimos", disse à plateia Cameron Bailey, co-diretor do
festival, visto como um dos pontos de partida para a disputa
pelo Oscar. "A história tem 150 anos, mas não poderia ser
mais atual".
No filme, Darwin (Paul Bettany) já realizou suas viagens pelo
mundo recolhendo amostras da vida animal, e sofre pressão de
seus colegas para escrever um livro que desafiaria a crença na
criação divina do homem. Mas sua esposa (vivida por Jennifer
Connelly, mulher de Bettany na vida real) é uma cristã
fervorosa, que discorda das ideias do marido. Trata-se de uma visão humanista sobre Darwin, dividido entre sua
crença em Deus e sua devoção pela ciência, e também sofrendo a
dor da perda de um familiar que não pode ser explicada por suas
teorias da natureza.
"Não estávamos tentando endossar uma visão única do mundo.
Queríamos fazer o homem (...) acessível e compreensível a todos
", disse o diretor Jon Amiel, que no entanto se disse
ciente de que o filme poderá atrair a ira de grupos religiosos.
Grupos conservadores religiosos e criacionistas têm sido tão
enfáticos na demonização de Darwin que qualquer filme que o
mostrar como um ser humano deve ser visto como polêmico" afirmou.
Mas cineastas experientes sabem que não há nada como uma boa
polêmica para atrair plateias aos cinemas. Diretores do mundo
todo vão a Toronto para obter atenção da mídia e gerar um
burburinho que aumente suas chances no Oscar.
Junto com o importante Festival de Veneza, que termina neste fim
de semana, e com o pequeno mas influente evento de Telluride,
Colorado, que terminou na segunda-feira, Toronto é uma das
primeiras escalas no caminho até os prêmios da Academia de
Hollywood, em março.
No ano passado, "Quem quer ser um milionário?," que
viria a ganhar o Oscar de melhor filme, foi o preferido da
plateia canadense.
Neste ano, buscam um feito semelhante, entre outros, "Up in
the air," com George Clooney, dirigido por Jason Reitman;
"A serious man," dos irmãos Joen e Ethan Coen,
"Life during wartime," de Todd Solondz; e
"Capitalism: a love story," do documentarista Michael Moore.
O festival vai até 19 de setembro, com 330 filmes de 64 países.
fonte: G1
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