No documentário, que estreia dia 24, Caetano é Caetano. Opina sobre religião, política, música, antropologia... 
Cena de 'Coração Vagabundo', documentário sobre Caetano Veloso
A intimidade de Caetano durante a turnê do álbum A Foreign Sounds
foi captada entre 2003 e 2005. Durante o período, o cantor se separou
de Paula, participou do filme do cineasta espanhol Pedro Almodóvar (Fale com Ela), cantou nos Estados Unidos, no Japão. A câmera foca Paula Lavigne. A produtora e ex de Caetano chama o
diretor Fernando Grostein Andrade para espreitar o banheiro no final do
corredor. Lá dentro, Caetano Veloso faz a barba nu. O início de Coração
Vagabundo é a síntese do que o jovem diretor de 28 anos quis passar no
longa de pouco mais de 50 minutos. Diretor
e artista receberam a imprensa na noite de anteontem para falar do
filme, que estreia no próximo dia 24. "Não tive a intenção de fazer um
longa biográfico para definir o artista. Isso seria impossível", diz
Andrade, que é meio irmão do apresentador Luciano Huck. "Quis fazer
apenas uma viagem, um recorte sobre um período da vida do Caetano...
No documentário, Caetano é Caetano. Opina sobre tudo: religião,
política, música, antropologia... Os cortes giram em torno das opiniões
do músico colhidas pelo diretor em mais de 56 horas de filmagem.
Caetano defende: "Um amigo meu assistiu ao filme e o achou muito
superficial. Eu não achei. É feito de um jeito despretensioso, mas não
é superficial. Eu fico um pouco envergonhado de falar tanto, mas mesmo
eu consegui acompanhar sem desagrado, com interesse. A escolha das
coisas que eu disse me pareceram boas. Acho que fomos longe, para algo
que não era para ser nada", explica. Antes de
transformar as imagens em um filme produzido por Paula Lavigne, a
intenção do diretor era fazer um making of da turnê do álbum de
clássicos do cancioneiro americano ou um DVD com um concerto ao vivo.
"Quanto mais ficávamos longe do Brasil, mais o Caetano falava de suas
raízes", justifica Andrade. Em Nova York, o cantor se
prepara para cantar no Carnegie Hall junto a David Byrne (ex-Talking
Heads). Ele relata a dificuldade que teve ao falar a um programa de
televisão. "Parecia um subdesenvolvido, com um inglês arrastado. Não me
senti nada bem." O cantor ainda discorre sobre a
influência americana na música mundial e contesta uma entrevista de
Hermeto Pascoal, que chamou Caetano de "musiquinho" e disse que a
música brasileira é mais importante do que a americana. Na coletiva,
Caetano completou: "A vida é assim. A própria obra do Hermeto justifica
o fato de eu falar que a música americana é a mais importante do século
20. O poderio econômico é só mais uma peça da dominação."Nos camarins,
após o show no Carnegie Hall, Caetano recebe a übber model Gisele
Bündchen e se encanta. "Me dá o telefone da Gisele, Paula", pede à
esposa, que nega. Durante a coletiva, o repórter do CQC Rafael Cortez
pergunta ironicamente se essa negativa foi a gota d’água para o fim do
relacionamento. "Não", fala Caetano, monossilábico. No
Japão, o cantor se aproxima de um penhasco e começa a relatar que sua
vida pessoal o deixa triste. O fim do casamento com Paula Lavigne é a
resposta. No país, Caetano encontra fãs seus em monastérios budistas.
"Likes Colação Vaabundo (sic)", diz um monge. "Nossa!", se assusta
Caetano. "Eu também gosto." Em certo momento, o cantor
fala que não gostaria de morar fora do Brasil, mas, caso tivesse de se
mudar, moraria ou em Nova York ou em Madrid. Almodóvar dá seu
depoimento. Fala que Paula é uma inspiração para seus personagens. "Ela
é forte, exuberante, decidida", diz o cineasta. Michelangelo Antonioni
é outro que dá as caras no documentário. Perguntado
sobre a participação ativa da ex-mulher no longa, Caetano fala: "É
perfeitamente coerente com a história desse filme que a Paula seja a
primeira pessoa a aparecer na tela. Ela que veio com a proposta de
convidar o Fernando para tocar o projeto. Tinha assistido a um
curta-metragem dele chamado De Morango. A Paula tá bonita, tá bem",
reflete Caetano, enquanto Paula olha por trás dos jornalistas.
"Concordo plenamente com o Caetano. E achei que ela poderia censurar a
primeira cena, mas foi muito pelo contrário. Me disse: ‘Você cortou a
melhor parte!’", finaliza o diretor.
fonte: http://www.estadao.com.br/noticias
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