 Parceiro de Dick Farney por 10 anos e professor de nomes promissores, Gogô mostra trabalho aos 69 anos
SÃO PAULO - Gogô fala em generosidade de int?rpretes e instrumentistas
que participam de seu primeiro ?lbum, mas a grande maioria desses 31
nomes convidados ? que deve seu agradecimento ao mestre. Aos 69 anos,
sendo 51 de carreira, o pianista, arranjador e professor de m?sica bem
menos conhecido por seu verdadeiro nome, Hilton Valente, não sabe bem
precisar sobre o motivo que o levou a gravar um disco pr?prio s? agora.
Mas tem a certeza de que esse ? o momento certo: conseguiu reunir a
nata da m?sica popular brasileira atual para trabalhar ao seu lado,
personalidades que de uma forma ou de outra fizeram parte de sua vida
art?stica...
O Piano de Gogô foi id?ia de um ex-aluno, o tamb?m pianista
e compositor Thiago Cury, a quem o m?sico prefere chamar de "mentor
intelectual e material". Na apresentação impressa no encarte do ?lbum,
Thiago frisa a importância de se gravar um artista que "chama a atenção
pelo modo sutil de se colocar, com um conceito de não-protagonismo e
uma concreção incomum nos dias de hoje". A preposição ‘de’ contida no
t?tulo do ?lbum, portanto, tamb?m nasce sob esse contexto, conforme
preciosismo do pr?prio Gogô: "Não poderia ser O Piano ‘do’ Gogô, pois
esse ? o que est? l? em casa. O ‘de’ est? me mostrando como piano
solista, gravando com cantores, violonistas, clarinetistas,
contrabaixistas, flautistas e etc."
Z? Luiz Mazziotti, por exemplo, foi o convidado a dar voz à canção Copacabana,
de João de Barro e Alberto Ribeiro, uma homenagem prestada por Gogô ao
int?rprete e tamb?m pianista Dick Farney, de quem sempre foi fã e com
quem trabalhou por 10 anos, entre 1977 e 1987, quando ele morreu. "Eu
me lembro de quando eu vi, pela primeira vez, o Dick se apresentando.
Eu ainda era adolescente e fui vê-lo no Copacabana Palace. Ele sempre
foi um tremendo pianista. Por meio de um amigo em comum, cerca de 20
anos antes de eu começar a trabalhar com ele, criamos uma amizade",
relembra. Gogô foi o segundo pianista convidado a dar apoio no piano a
Dick, depois de Julinho Figueiredo. "Ele preferiu que outros pianistas
o acompanhassem para que pudesse ficar à vontade conversando com o
p?blico."
As conexões art?sticas estabelecidas por Gogô ao longo de sua
carreira se fazem presentes de forma impl?cita no ?lbum. Dick não s?
foi o seu parceiro, como ofereceu o primeiro ganha-pão a Johnny Alf,
que, por sua vez, foi o respons?vel pela inserção de Gogô no universo
profissional da m?sica. "O primeiro emprego que tive foi dado pelo
Johnny. Eu tinha uns 20 anos e ele me indicou para trabalhar na extinta
boate Cave", conta. Ana Maria Brandão, que j? atravessou muitas noites
trabalhando ao lado de Gogô, ? devota de Johnny Alf e empresta sua bela
voz à interpretação de O Que ? Amar, composição do carioca.
Quatro dos convidados de O Piano de Gogô foram seus alunos
nas disciplinas de piano, harmonia e hist?ria da m?sica popular
brasileira na Universidade de Campinas (Unicamp). O pianista,
compositor e arranjador Leandro Braga faz um duo de pianos em uma
canção-homenagem ao ex-professor, Go-Gô, enquanto o baterista
Edu Ribeiro d? o ritmo na grande maioria das m?sicas presentes no
disco. Rodrigo Morte preparou os arranjos de Se Eu Pudesse, de Jos? Maria de Abreu, e S?bado em Copacabana, de Dorival Caymmi e Carlos Guinle, uma das duas canções que Gogô se arrisca no canto (a outra ? Chegaste,
canção de sua pr?pria autoria). "Não sou cantor de of?cio. Estava tão
nervoso que gravei com as mãos no bolso. Em barzinhos sempre toquei e
cantei por ser algo informal, mas em um disco a ‘responsa’ ? imensa",
diz, aos risos. Alessandro Penezzi completa o quarteto de ex-alunos,
interpretando uma m?sica sua, Lacaniana, com Gogô. Ala?de
Costa, Proveta, Toninho Carrasqueira e Guinga são apenas alguns dos
outros destaques de peso no disco nascido maduro.
fonte: http://www.estadao.com.br/arteelazer/not_art295472,0.htm
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